Chiara Lubich e sua contribuição para a mudança no mundo político hoje Imprimir
Seg, 16 de Março de 2015 16:26

Fórum

Sábado, 14 de março, o Salão dos Atos na grande área verde do Parque Barigui, em Curitiba, estava lotado por deputados federais, estaduais, vereadores, prefeitos, funcionários públicos integrantes de diferentes partidos, jovens e acadêmicos que chegaram da Amazônia, do Nordeste, de Brasília e de outras regiões de todo o Brasil. Saiba como foi o Fórum "Chiara Lubich: por uma política de comunhão"


Sábado, 14 de março, o Salão dos Atos na grande área verde do Parque Barigui, em Curitiba, estava lotado por deputados federais, estaduais, vereadores, prefeitos, funcionários públicos integrantes de diferentes partidos, jovens e acadêmicos que chegaram da Amazônia, do Nordeste, de Brasília e de outras regiões de todo o Brasil. Ecoaram palavras insólitas: a política foi apresentada como “«amor dos amores», que confere aos administradores fazer projetos capazes de responder às exigências da comunidade, a quem serve, e aos cidadãos, de realizar as próprias aspirações individuais”. Foi lembrado que “de fato, é o poder que confere a força, mas é o amor que dá autoridade”. Ressoou várias vezes a palavra “fraternidade” não só como princípio moral, ético da política, mas como “a sua substância”. São estes também os pontos centrais da mensagem da presidente dos Focolares, Maria Voce, ao citar Chiara Lubich.

Essa proposta foi lançada pela Fundadora do Movimento dos Focolares, alguns anos atrás, diante de políticos nas sedes parlamentares de vários países. Hoje ecoou como luz no túnel escuro da crise que o Brasil está atravessando. Despertou nova esperança, sendo muitos os testemunhos da viabilidade deste árduo programa não só no Brasil, mas também em outros países. Esse foi o panorama apresentado num vídeo-documentário, no inicio do evento promovido pelo Movimento Político pela Unidade (MPPU) do Brasil, expressão na política dos Focolares, no 7° ano do falecimento de Chiara Lubich. Um evento que faz parte de um fórum mundial realizado de 12-15 de março em mais de 20 países, como contribuição para a mudança no mundo político.

O encontro de Curitiba aconteceu entre duas manifestações populares contrárias. Muitas das falas focaram a crise política, econômica e ética que o Brasil está enfrentando, ressaltaram a gravidade da crescente falta de confiança nas instituições. “Nós estamos aqui como mediadores, chamados a transformar essa situação através do dialogo e da fraternidade” destacou Sergio Previdi, Presidente Nacional do MPPU.  “Esse é um forte desafio”, afirmou o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet. “A democracia – lembrou – não é só um fato técnico, precisa de uma alma. Devemos repensar a política para poder reumanizá-la”. E citou o pensamento de Chiara como o caminho para atuar uma nova cultura política. É esse o programa da cidade de Curitiba para os anos de 2010-2030 como cidade inovadora global, já conhecida como modelo de planejamento urbano sustentável, e como “cidade da fraternidade”.

“Fraternidade significa ter a consciência da pertença ao local, na cidade e de ser parte integrante da humanidade. Cada vez que um cidadão sofre, que a humanidade perde, é cada um de nós que sofre, que perde”, destacou o prefeito de Sorocaba, Antonio Carlos Pannunzio.  Fraternidade significa “atuar uma estratégia de unidade: significa não ter ódio do adversário e querer destruí-lo, mas procurar o diálogo entre maioria e oposição, entre instituições e sociedade, significa concertação rumo ao bem comum”, acrescentou. “Fraternidade – ainda disse Walter Feldmann, deputado Federal até 2014 – requer humildade, isto é,  capacidade de autocrítica, saber reconhecer os próprios erros”.

A cidade foi indicada como laboratório privilegiado para atuar essa nova cultura, como falou Julio Carneiro, da Comissão nacional do MPPU, ao citar o momento no qual Chiara Lubich fundou pequenos modelos de cidades (hoje mais de 20), para testemunhar a incidência da fraternidade na convivência civil. “Uma nova cultura política requer homens novos”, disse o professor Marconi Aurélio Silva. Evidenciou a urgência da formação dos jovens à cidadania baseada sobre a fraternidade “sendo nós seres relacionais e não indivíduos isolados”. E mostrou os frutos da Escola Civitas em ato em muitos estados do Brasil e do mundo.

Muitos foram os relatos de deputados e vereadores, secretários municipais, de diferentes partidos, que já atuam essa nova cultura política, com muito sofrimento por ser contracorrente. Eles testemunharam como o MPPU é “uma fonte de água viva”, o lugar onde “encontrar nova força, novo empenho”. Entre os últimos relatos, as palavras de um jovem estudante que atuou em um projeto de “Campanha da fraternidade na política”, traduzido no programa de justiça social, sustentabilidade e lógica colaborativa: “A sociedade, com o desenvolvimento das tecnologias informáticas já é colaborativa, – destacou – mas as instituições ainda não o são”. E acrescentou: “a lógica do futuro é a fraternidade”.