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Pacto de Responsabilidade Cidadã em Porto Alegre (RS) PDF Imprimir E-mail

No início de junho, uma noite fria em Porto Alegre (RS) foi aquecida com um caloroso diálogo sobre o Pacto de Responsabilidade Cidadã, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, na sala Fórum Democrático. Assim como ocorreu nas cidades de Encantado em março e Gravataí em maio, o diálogo de Porto Alegre colocou em pauta a urgência de uma virada cultural na prática política brasileira, que passa necessariamente pela fraternidade.

“Este diálogo, na verdade, aconteceu durante todo o processo de preparação. Já há algum tempo mantemos um relacionamento recíproco com o pessoal da ‘Minha Porto Alegre’ em várias ações. Para este diálogo, essas pessoas nos ajudaram a reformular o design do Pacto, para que pudesse ser mais atrativo. Assim que ficou pronto, disponibilizamos o mesmo na ferramenta ‘reboo’ mantida pela Minha Porto Alegre, para que as pessoas possam, através da internet, assinar e se comprometer com o Pacto”, contam os organizadores. A “nova cara” do Pacto pode ser em acessada pelo site Minha Porto Alegre.

O grupo do MPPU do Rio Grande do Sul conta: “Como ocorreu nas outras cidades, este diálogo é uma oportunidade para apresentarmos as ideias chaves do Movimento Político pela Unidade. Ideias que nos permitem, através das nossas diferenças políticas e tendo nas mãos o difícil contexto político atual, buscar e enxergar novos horizontes para a política brasileira. Ou como diria Igino Giordani, ‘a democracia tem necessidade de uma alma (Giordani, 1952)’. Juntos, através deste diálogo, percebemos que a fraternidade é esta ‘alma que se expressa no método do diálogo sincero, contínuo e construtivo, no qual a razão emprega todas as próprias forças na busca do bem comum. É assim que se pode levar a política à plenitude da própria função e fazer dela a construtora de uma unidade verdadeira’ (Baggio)”.

A experiência de Porto Alegre, ainda se em um espaço diverso e com diferentes pessoas, repete e aprofunda o aprendizado vivenciado em Encantado e Gravataí. “Um aprendizado comunitário, enraizado em cada pessoa, confirmando que é possível construir a fraternidade na política justamente a partir da diversidade de ideias! A adesão dos participantes ao pacto nos permite alargar nosso sorriso de esperança, nos permite acreditar sempre mais na necessária e urgente virada política cultural que as pessoas, em cada canto deste nosso país, com muita esperança desejam. Este é o nosso empenho cotidiano, pessoal e coletivo, dar a nossa vida, o nosso trabalho, as nossas capacidades, para resgatar a alma política em todos nós”, afirma o grupo gaúcho.

A impressão de algumas pessoas que participaram do diálogo em Porto Alegre ilustram esse sorriso de esperança.

Disse um ex-vereador: “Estes são princípios básicos para qualquer pessoa que queira ser um político ou cidadão de verdade. As pessoas estão cansadas de ver sempre as mesmas promessas. A papel do vereador não é o de dar isso ou aquilo às pessoas (cimento, telha, tijolo, roupa, próteses etc.), mas justamente o de dialogar com as pessoas, ouvir suas demandas e buscar soluções. O que eu posso dar é isso, é o meu trabalho na busca de soluções. A fraternidade é o que me cativa e motiva sempre mais.”

“Devemos ser mais transparentes, devia ser um dever para ser cumprido por todos. A fraternidade deveria ser ensinada desde criança“, declarou uma pessoa que participou do diálogo.

“Quando recebi o convite tentei ver se concordava com o que era proposto. Para mim, isso não é novidade, são coisas que já pratico, é uma prática de toda a minha vida. Já faço isso de não pedir nada do político, justamente para ser livre para poder cobrar depois. Depois que comecei a me envolver com o movimento dos ciclistas, comecei a ficar mais próximo das pessoas. A partir do momento em que comecei a andar de bicicleta, saí da lógica individualista. Não mais do ponto A ao ponto B, de carro. Mas andando de bicicleta, para ir de A a B, passo por muitos outros pontos e lugares. Assim comecei a interagir mais com as pessoas, com a cidade, a viver mais a fraternidade. Estamos em um momento frágil da política brasileira e diante de um momento de crise tenho duas possibilidades: fugir, sair do país ou enfrentar. Ficar e enfrentar o que está errado. Tenho sempre comigo o exemplo do meu avô que foi bombeiro, ele sempre dizia que bombeiro nunca corre do fogo, mas vai em direção ao fogo. Fugir é aceitar a derrota. Devemos ser como os bombeiros, lutar, batalhar, contra a violência, mudar a comunicação, dialogar com o próximo, com os diferentes. É possível, sim, manter o diálogo e a cordialidade. É, sim, o momento de dar as mãos para construirmos juntos as mudanças necessárias”, compartilhou um outro participante.

“Estas são ideias que sempre procuro viver. Acredito na política porque a amo. Tudo o que foi colocado aqui me inspira e me dá forças para lutar. Precisamos ajudar para que ações como estas se ampliem e perseverem. Estamos num país dividido, em que a dicotomia é a regra, mas ela é falsa. Os caminhos e as possibilidades são múltiplos, precisamos fazer da fraternidade e tantos outros conceitos importantes para uma cultura colaborativa. Espero que as eleições sejam o início da construção de caminhos. Essencialmente estou muito feliz por estar aqui, por ver essas iniciativas”, confessou uma participante.

Um participante citou Gandhi ao falar da fraternidade: “Não posso ferir o meu irmão sem ferir a mim. Por isso, a fraternidade é importante, pois precisamos dialogar. Para a boa política devemos partir da fraternidade para fortalecer o diálogo e o estar próximo das pessoas”.

“Quando lemos o pacto vimos que realmente é o mínimo que se espera de todos nós. Que bom que isso está escrito, pois precisamos explicitar ecomunicar ao máximo. Amamos Porto Alegre e por isso queremos que todos os cidadãos se envolvam por sua cidade, amem a sua cidade, amplifiquem esta cultura”, declarou um cidadão.

“A fraternidade deve, sim, ser a alma da democracia e é isso que o Brasil precisa: aprofundar a democracia, aprofundar esta alma”.

“Parabenizo o trabalho do Movimento Político pela Unidade, que cumpre um papel importante dentro desta crise que vivemos e nos sentimos respaldados. É bom conviver com pessoas com esta alma, para além das diferenças e dos partidos”.

“Para conhecer uma pessoa, dêem o poder a ela. Nós, eleitores, temos o poder ou capacidade de vivermos juntos este pacto”.

O próximo encontro será em 30 de junho, na cidade de Maquiné.